quinta-feira, 31 de março de 2011

Embaúba: uma árvore para fazer pensar!

Embaúba prateada

Está vendo essa árvore aí em cima? Simplesmente a observe. À primeira vista, talvez você pense: é uma planta sem maiores atrativos, feia, desinteressante ou simplesmente comum. Poderia ser.
Mesmo sendo alta, não é frondosa como aquelas árvores que desenhávamos na infância. Embora oca, seu tronco longo esconde e protege o inscansável trabalho das formigas.
Seus frutos são a alegria e a garantia de alimentos para pássaros e morcegos que, ao retribuir a fartura, dispersam suas sementes e garantem a perpetuação dessa tão admirável planta.

Pioneira e munida da sabedoria da mãe Gaia, brota em solos devastados para redesenhar paisagens e fazer ressurgir a floresta. Depois de cumprida sua missão, só permanece viva se tiver obtido altura suficiente para alcançar a luz do sol por entre a suntuosidade das matas que ajudou a renascer.
Mais do que uma simples árvore, a
embaúba (também conhecida como árvore-da-preguiça) é uma metáfora da sabedoria natural e um signo do transcendental. Ela ensina a não julgar pela aparência!

terça-feira, 29 de março de 2011

IPEMA abre inscrições para cursos ambientais


O IPEMA (Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica), localizado em Ubatuba, litoral norte de São Paulo, está com inscrições abertas para diversos cursos:

- Introdução à Comunicação Consciente
Quando? 2 e 3 de abril de 2011
Carga horária: sábado, das 9h às 18h e domingo, das 9h às 13h

- Habitações Sustentáveis
Quando? 21 a 24 de Abril
CARGA HORÁRIA: 30 horas/aula

- Permacultura Profunda
Quando?  23 a 26 de Junho

- Planejamento em Permacultura (PDC)
Quando? 1º a 10 de julho de 2011

- Planejamento de Ecovilas
Quando? 7 a 11 de setembro

Para maiores informações, entre em contato:
Site -
http://www.ipemabrasil.org.br/cursos2011.html
E-mail - ipemanoticias@gmail.com
Telefone - (12) 3848 1801- Horário comercial

quarta-feira, 23 de março de 2011

Doação: um ato ecológico!

Sabe aquelas roupas que você tem no armário e nunca usa? E aquela pilha de livros que está na prateleira acumulando poeira? Passá-los adiante pode ser uma ótima ideia para você, para quem recebe e para o meio ambiente. Afinal, lixo deixará de ser produzido e uma pessoa necessitada fará proveito de algo que estava inutilizado. 
Doar exige desapego, altruísmo. Definitivamente, não combina nem rima com materialismo. E se você não tem nenhum objeto para dar a alguém, por que não doar o intangível? Sabe quando andamos pela rua e um desconhecido lhe sorri? Isso gera empatia: você retribui e pode ter certeza, fica mais feliz!
O trabalho voluntário também é um tipo de doação. Tudo bem, você pode dizer que não tem tempo para assumir um compromisso. Mas voluntariado não precisa ser fixo. Que tal ajudar na criação de uma horta na escola do bairro? Ou ensinar alguém a ler e escrever? Ou ainda multiplicar o conhecimento sobre seu assunto preferido com pessoas que jamais teriam acesso a esse tipo de conteúdo?
Um estudo sobre voluntariado feito com 2700 pessoas pela universidade de Harvard nos Estados Unidos, durante dez anos, mostra que a prática, além de ajudar a sociedade, contribui para a saúde do coração e faz bem para o sistema imunológico dos voluntários. Mais um argumento: outra pesquisa da mesma universidade publicada na revista Science em 2010 mostra que em quase 50% do tempo que passamos acordados, nossa mente está divagando. Resultado: infelicidade. O que acha de minimizar esse índice?
As maneiras de doar(-se) são múltiplas, você pode optar por aquilo com que mais se identifica e fazer a diferença. Tenha certeza: pequenas ações são capazes de transformar a coletividade e trazer resultados surpreendentes!

terça-feira, 22 de março de 2011

A água nossa de cada dia...


Wasser. Acqua. Eau. Water. Água. Não importa o idioma. Em todos os lugares do mundo, nas mais diversas civilizações e nos mais distintos contextos sociais, ela tem uma significação em comum: vida. Pode ser símbolo de riqueza, para os gananciosos. De fé, para os religiosos. De sabedoria, para aqueles que a observam atentamente e aprendem com o curso dos rios. De tristeza, para quem a vê levando consigo uma fração de sua vida, de sua história.
Água que faz parte da gente. Gente que vive da água. Água como fonte de vida. Vida humana que destrói a água. Complemento. Controvérsia. Consciência. Incompetência. Como estabelecer uma relação responsável com esse bem finito e fundamental para nossa sobrevivência? A água que nutre o corpo é a que recebe o que não serve mais. A mesma água que batiza nossos filhos e celebra a vida recebe morte como recompensa.
Ora caudalosa, desce as montanhas como quem ostenta presunção e, com a efemeridade de um piscar de olhos, é capaz de deixar um rastro de destruição. Ora escassa: o sonho de vê-la cair sobre a terra e espalhar sementes de prosperidade faz da água o centro das preces de muitos homens, mulheres e crianças mundo afora. 
Mais do que uma necessidade vital, um patrimônio cultural. Respeito e razão. Reponsabilidade e comedição. ConscientizAÇÃO. Esperaremos que ela chegue ao fim para mudar de posição? A hora é agora. Como diz o ditado popular, com direito a trocadilho: não adianta chorar a água derramada!


"Segundo as previsões dos cientistas
De padres, pastores e budistas
De ciganos, pais de santo, Hare Krishnas
O tempo vai secar
O sol vai carcomer
E água pra beber não vai ter
Água pra lavar não vai dar
Água pra benzer, água pra nadar
Nada, nada..."


Para ouvir e refletir:
Sá & Guarabyra - Sobradinho
Hágua - Seu Jorge
Festa - Luiz Gonzaga


Para conhecer e transformar suas atitudes:
Dicas para economizar água - Instituto Akatu
Desperdício de Água - Ambiente Brasil

segunda-feira, 21 de março de 2011

Orgânicos: uma opção sustentável

Que os alimentos orgânicos são mais saudáveis, todo mundo sabe. E o que todo também mundo sabe, ou melhor, todo mundo costuma dizer é que eles custam mais caro. Para quem não tem o privilégio de dispor de terra ou não tem tempo ou ânimo para cultivar seus próprios alimentos, o consumo de orgânicos pode até parecer uma realidade distante.
Entretanto, há uma tendência crescente nas grandes cidades e uma boa opção para fugir das frutas, verduras e legumes cheios de veneno e ter sempre à mesa alimentos fresquinhos, direto da roça a um preço justo: são as cestas de orgânicos. Vendidas em lojas de produtos naturais ou em sua forma mais moderna, via internet, essas cestas costumam fornecer variados produtos da época e são entregues semanalmente na casa do consumidor. Por serem adquiridas com antecedência e com conteúdo a critério do produtor, elas oferecem custo-benefício maior se comparadas aos produtos orgânicos avulsos ofertados em supermercados e quitandas, pois não há intemediários.
Ao aproximar o consumidor do produtor, a agricultura natural valoriza a agricultura familiar (90% da produção orgânica brasileira é originária de propriedades cujo cultivo é baseado nesse sistema, segundo dados publicados no site Ambiente Brasil).
Além de não prejudicar o meio ambiente e sua saúde com a utilização de agrotóxicos e fertilizantes químicos, a produção orgânica resulta em alimentos mais saborosos e nutricionalmente mais ricos, dada a qualidade  do solo no qual eles são cultivados.
Em tempo: talvez você já tenha ouvido falar que os produtos orgânicos precisam ser certificados. Contudo, vale a máxima: nem todo produto orgânico é certificado, mas todo produto certificado é orgânico. A explicação é a mais simples possível: a certificação é um meio para garantir a procedência dos orgânicos. Trata-se de uma auditoria que perpassa toda a cadeia produtiva, a fim de evitar fraudes.
Lembre-se: quanto mais consumirmos os alimentos orgânicos, a tendência será a produção em maior escala e a queda nos preços (isso não quer dizer que a agricultura orgânica vá se tornar monocultura, longe disso). E então, que tal adotar uma alimentação saudável para você e o meio ambiente?

sexta-feira, 18 de março de 2011

Qual a sua relação com o lixo?


Peri Pane

Falar sobre consumo (tratando-se do consumo na acepção comprar) e, por consequência, sobre o lixo parece redundante. E talvez até seja. Mas repensar a maneira como lidamos com ele é crucial para equacionar a responsabilidade sobre o que consumimos e os resíduos (ou por que não recursos?) que delegamos ao poder público. Sim, pois realmente é muito mais fácil ir ao supermercado e ao shopping, comprar tudo o que não tem utilidade ou necessidade e depois descartar as embalagens e afins em um saquinho que será recolhido pela prefeitura e percorrerá um caminho ignorado pela maior parte da população. Por isso, ainda que possa soar como clichê, seguem aqui algumas dicas para melhorar sua pegada ecológica e sua relação com o meio!

- Antes de sair de casa, faça uma lista do que realmente precisa comprar. Seja sincero, reveja princípios e seja partidário da ética ambiental!
- Sempre deixe sacolas retornáveis na bolsa. Você sabe: se estiver sem elas, fatalmente usará as de plástico! Outra opção é utilizar as caixas de papelão disponíveis do supermercado para acondicionar suas compras.
- Opte por produtos naturais (e, de preferência, orgânicos): a quantidade de embalagens será menor e o impacto ambiental, também. Lembre-se: às vezes, produtos industrializados possuem mais de uma embalagem, sem contar os seus insumos...
- Dê preferência a produtos reutilizáveis. O uso de descartáveis gera uma quantidade de lixo desnecessária. Não deixe que pela comodidade, a natureza e você paguem um preço bem mais alto!
Homem Refluxo
- Se você tiver pouco espaço e disposição, pode fazer minihortas verticais. Caso você tenha um espaço maior com terra disponível, a horta mandala é uma boa opção.
- Evite o desperdício: cascas de vários alimentos podem virar farinhas nutritivas, sucos e receitas surpreendentes. Além disso, use a criatividade para reaproveitar embalagens e customizar roupas!
- Composte o lixo orgânico!
- Separe o que é reciclável. Não há coleta seletiva na sua cidade? Procure a cooperativa de reciclagem do seu bairro ou ainda algum trabalhador autônomo. Não custa nada fazer um esforço pelo planeta!
- E o óleo de cozinha? O destino não deve ser a pia da cozinha. Uma das formas mais conhecidas para reaproveitá-lo é fazer sabão caseiro. Contudo, hoje em dia há algumas cooperativas e empresas que o recolhem para transformá-lo em biodiesel.

Este não pretende ser um manual, mas apenas algumas maneiras para reduzir o seu impacto ambiental. Ah, não deixe de explorar os links que estão em destaque no meio da postagem: eles fornecem sugestões preciosas para quem quer adotar um estilo de vida ecologicamente responsável! Acima de tudo, tenha consciência de que cada ação terá uma reação. Cabe a você escolher se ela será positiva ou negativa!

quinta-feira, 17 de março de 2011

O temor nuclear e a doutrina do choque

A terra em transe. O terceiro maior país do mundo tremeu. Literalmente. E o sismo trouxe uma gigante onda (de incerteza). Doutrinadas pela perplexidade, milhares de pessoas discutem a segurança da modelo energético atômico após a iminência de uma contaminação radioativa em massa no Japão. O ministro do Meio Ambiente da Áustria, Nikolaus Berlakovich, exigiu testes de segurança em todas as usinas europeias. A França, embora possua 80% de sua energia proveniente da atividade atômica, afirmou que o momento não é para alardes.
E a conclusão a que se chega é: os testes serão feitos? Talvez. O resultado provável: energia nuclear é segura. Se não for, é a possível (leia-se economicamente viável, ou ainda, maior geradora de lucro$). O argumento: energia nuclear não emite gases de efeito estufa. O movimento político pró-energia atômica só faz questão de omitir os contras, lembrados agora em todo o planeta e, dentre os quais, o maior é possibilidade de um acidente que liberaria partículas capazes de modificar códigos genéticos e até mesmo levar à morte.
Na última segunda-feira (14), as empresas cujas ações sofreram queda mais expressiva nas bolsas europeias foram aquelas que exploram essa polêmica fonte de energia. As corporações que trabalham com energia eólica e solar, pelo contrário, foram as que tiveram suas ações mais valorizadas nos pregões do velho continente. Mas, ao que tudo indica, esse cenário deve voltar às antigas, visto que ao menor sinal de rejeição ao modelo nuclear por algum líder importante, surge um bombardeio de afirmações a favor do modelo. Faça um teste: ligue sua TV, procure por uma pauta sobre o acidente nuclear. Não será difícil. Se houver um especialista sendo entrevistado por um longo tempo, ele fatalmente estará dizendo: "- O que aconteceu no Japão foi uma exceção. O modelo nuclear é seguro."
O capitalismo de desastre, tão bem definido por Naomi Klein, já marca presença. "Grandes corporações" estadunidenses estão usando o acontecimento para auto-promoção às custas alheias, duplamente, diga-se de passagem. Explico: sob a redoma da benevolência, a Dysney fará uma arrecadação de US$ 2,5 milhões entre seus funcionários para distribuir às vítimas da terra do sol nascente. Que Louvável! Fazer caridade com recursos que não lhe são de direito para divulgar o feito entre suas ações "socialmente responsáveis".
E quando as circunstâncias apontariam para uma mudança postural do Brasil com relação à energia atômica, mais uma vez a doutrina do choque entra em cena. A Eletronuclear afirma uma novidade tecnológica: as quatro usinas nucleares que serão construídas em solo tupiniquim até 2030 terão controle de segurança automatizado. Oras, como se isso impedisse a contaminação dos arredores em caso de acidente. 
Interesses de grupos dominantes sobrepujam os princípios da proteção e valorização da vida em todas as suas formas. A mídia, que deveria suscitar debates e cumprir com seu papel social, limita-se a reproduzir o discurso dos gananciosos. Os governos agem, como sempre, de acordo com seus "valores". Mas eles os tem? Ah, valores financeiros, evidentemente! E se o clamor público surtir efeito, seja cauteloso. O capitalismo apontará alguma solução pseudo-sustentável, economicamente viável e sócio-ambientalmente desastrosa.
O momento é de incertezas. A suscetibilidade da população global diante dos riscos decorrentes da radiação não são, de todo, ruim. Quem sabe as circunstâncias não promovam um levante em massa contra a exploração da energia nuclear...

Contra energia atômica, por um mundo realmente sustentável!

segunda-feira, 14 de março de 2011

Bem estar, bem morar

Créditos da imagem: Casa Colmeia
Morar bem é um conceito relativo. Se para alguns, significa viver em uma casa grande e luxuosa na cidade, para outros, pode ser uma casinha simples e longe do caos. Existem inúmeras concepções sobre o que é viver em um bom lugar. Entretanto, há um consenso irrefutável: a construção civil tradicional é uma das atividades econômicas mais impactantes para o meio ambiente. Dados do Ministério das Cidades dão conta que 51 a 70% dos resíduos sólidos nos municípios brasileiros são compostos de detritos da construção civil.
Como alternativa a esse modelo, surgiu a bioconstrução. Mas não pense que ela se resume apenas ao conhecimento advindo de arquitetos e engenheiros preocupados com a ecologia. A bioconstrução alia tecnologias sustentáveis ao conhecimento tradicional, agregando a elas as técnicas de construção populares, como pau a pique, bambu, entre outros.
A abrangência desse método vai muito além da execução da obra. A aquisição de matérias-primas e utilização dos recursos locais, sejam eles naturais ou reproveitados, tornam essas técnica propulsora de um planejamento sustentável. Além disso, bioconstruir também presume a participação coletiva, promovendo a integração da comunidade.
As técnicas de bioconstrução atém-se ao bem-estar na moradia, a fim de que ela se torne um ambiente confortável. Sua implementação visa prover gestão responsável de recursos e promove ainda a autonomia de quem a pratica, pois seus conhecimentos, muitas vezes originados da sabedoria popular, podem ser aplicados também por quem não é profissional. Daí sua viabilidade econômica. Ficou entusiasmado? O Ministério do Meio Ambiente publicou uma apostila sobre o assunto. Ela está disponível aqui! Mãos à obra!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Belo Monte: a polêmica mora no pulmão do mundo

Tem uma pedra no meio do caminho. No meio do caminho tem uma pedra. Quem dera fosse... No meio do caminho tem uma hidrelétrica. No coração da maior floresta do planeta, floresta essa cortada pela majestosidade do rio Xingu, símbolo de um povo, de uma luta, de uma tradição, querem entranhar muitas pedras.
A autorização para instalação do canteiro de obras da Usina hidréletrica de Belo Monte foi reestabelecida no dia 03 de março. A licença havia sido revogada no dia 25 de fevereiro pela Justiça Federal do Pará. A Advocacia Geral da União (AGU) entrou com recurso contra a ação do Ministério Público Paraense que havia paralisado as obras.
Em janeiro de 2011, o então presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), Abelardo Bayma, se demitiu para não ceder à pressão do governo para aprovar o início das construções. Porém, o presidente sucessor Curt Trennepohl concedeu uma licença parcial, que permite a instalação do canteira de obras, mas não a construção da usina.
A controvérsia relativa à Belo Monte é resultante da magnitude do projeto: serão gastos 30 bilhões de reais e a construção irá alagar 668 quilômetros quadrados da região amazônica do Xingu, terra de povo indígena do mesmo nome. Especialistas explicam que os índices de energia a serem gerados estão superestimados, visto que o nível da vazão da água em que se baseiam os valores calculados só ocorre durante um trimestre por ano. As obras prevêem ainda um desvio que secará 100 km do rio Xingu, conhecido como Volta Grande.
Além disso, ambientalistas ressaltam que as perdas para a biodiversidade serão inestimáveis, pois há animais que não poderão retirados e supõe-se que ainda possam existir espécies a descobrir na região. Afirma-se também que parte do maior município em extensão territorial do mundo, Altamira (PA) ficará submersa e haverá aumento de casos de doenças como a malária, elevação das emissões de gases de efeito estufa, dentre uma série de outros detrimentos para o meio ambiente e a sociedade.
Segundo o Movimento Xingu Vivo, no dia 08 de fevereiro de 2011, houve uma reunião entre dez lideranças e caciques da Bacia do Xingu e Rogério Sotilli, secretário executivo – e, naquele momento, interinamente ministro – da Secretaria Geral da Presidência, representando a presidenta Dilma Rousseff. Nessa conversa, o secretário se comprometeu a dialogar com a sociedade civil a fim de se chegar a um consenso. Porém, em nota intitulada: "O que vale, para este governo, a palavra dada?", o movimento afirma não ter recebido retorno do governo em inúmeras tentativas de contato.
Na contramão do futuro, o Brasil investe em energia oriunda das hidréletricas, sob a égide de que essa matriz não é poluente, e, portanto, é sustentável. Entretanto, o impacto socioambiental de uma inundação causada pela instalação de uma usina desse tipo tem sido subestimado. A grande mídia tem se limitado a noticiar a guerra judicial que se estende na esperança de que a Usina não seja erguida. É preciso levar o debate à toda a sociedade. O que está em jogo não é apenas a vitória do pensamento de um determinado setor, mas sim de um conceito de desenvolvimento que precisa ser revisto com urgência. Caso contrário, correremos o risco de perder um patrimônio social, biológico e cultural de valor incalculável.

Para saber mais:
Especial Belo Monte - Instituto Socioambiental 
Belo Monte de Violências - Série de artigos publicada pelo Diário do Pará

Diga não à Belo Monte! Assine a petição!

terça-feira, 8 de março de 2011

Mulheres: um canto de libertAÇÃO!


Meados de 1700. Dandara, rainha negra de Palmares, esposa de Zumbi e guerreira esquecida pelos livros de HIStória (patriarcalismo até nome, não?), se suicidou para não retornar à condição de escrava. Não em causa própria, mas em nome de uma bandeira maior, a da liberdade de um povo.
1958. Nascia no coração da floresta amazônica uma menina que mudaria para sempre o curso do movimento ambientalista brasileiro. Marina era, dentre muitas, apenas mais uma Silva. Uma Silva não letrada que sofreu as mazelas intrínsecas à pobreza. Aos dezesseis anos, foi alfabetizada. Prosseguiu os estudos, tornou-se Ministra do Meio Ambiente e mesmo após a saída do governo, persiste lutando pela Amazônia.
1962. A bióloga norte-americana Rachel Carson publica aquele que seria o livro considerado marco no movimento ambientalista mundial: "Primavera Silenciosa". Nele, Carson denunciou o uso irrestrito de agrotóxicos, que, dentre muitos malefícios, diminuiu consideravelmente a população de pássaros nos Estados Unidos.
Poderiam ser citadas mulheres de muitas bandeiras, ideais que podem não ser os seus. Mulheres diferentes, de força igual. Força em gestar, parir, ser mamífera. Força que emana da natureza e das circunstâncias culturais também. Força às vezes adormecida e que pode ser desperta abruptamente, como um vulcão. Força que nasce diante do condicionamento, da imposição.
8 de março de 2011. A data, que era para lembrar na revolução feminina e feminista, foi transformada pelo capitalismo em dia de mandar flores e presentear, sem refletir. Consumo, consumismo. Na contramão, mulheres vivem do lixo gerado do luxo. Marias que suam dia após dia para levar o pão só são valorizadas por hoje. Amanhã (e pelo resto do ano), a mídia exaltará as mulheres de plástico.
Clementina cantou a liberdade e seu canto até hoje ressoa como um despertar de consciência, servindo, também, para atentar para a escravidão física (imposta àquelas que trabalham em condições degradantes ou que saem de seus larem para criar filhos que não lhe pertencem, enquanto as ruas cuidam dos seus) ou mental, em que as mulheres desconhecem seu verdadeiro valor, e, em contradição ao seu maior grau de educação formal, são manipuladas pelos apelos ao consumo e instruídas a não pensar. Para todas elas, a voz de Clementina ainda é um genuíno canto de libertação: "Tava durumindo, cangoma me chamou, disse: - Levanta, povo, cativeiro já acabou!". Mulheres, libertai-vos!

quinta-feira, 3 de março de 2011

Vaidade infantil é sustentável?

Mais uma vez o mercado se apropria do rótulo da "sustentabilidade" para vender produtos não tão sustentáveis assim. Explico: é que agora o WalMart, rede norte-americana líder mundial no varejo, está lançando nos Estados Unidos uma linha cosmética para uso diário direcionada ao público entre 8 e 12 anos e cujo objetivo seria despertar o interesse infantil pela responsabilidade ambiental. De acordo com a imprensa estrangeira, a gama de produtos intitulada GeoGirl inclui maquiagem, cremes para esfoliação e também anti-idade.
 A linha cosmética fabricada pela Pacif World Corporation a pedido da rede varejista se diz composta por produtos naturais acondicionados em embalagens recicláveis. Pode até ser. Mas a questão subjacente aqui é outra: é saudável estimular a vaidade precoce? Vale lembrar que esses produtos são maquiagem de verdade, não de brinquedo. Uma menina de 8 anos precisa de um creme para tratar sua pele contra o envelhecimento? Argumentos não faltam, campanhas consumistas também estão sobrando.
Para protestar, a ativista Mandy Van Deven pôs no ar uma petição contra a linha GeoGirl.  Para Assinar, clique aqui!

quarta-feira, 2 de março de 2011

Todo dia é dia do planeta

Está marcada para as 20h30 do próximo dia 26 a Hora do Planeta. Articulada pela rede WWF, a celebração, é, na verdade, um alerta pelo aquecimento global. Durante uma hora, 1 bilhão de pessoas apagarão as luzes para chamar a atenção para as mudanças climáticas.
A intenção é grandiosa e, admitamos, mobilizar esse batalhão de gente em prol dessa causa é uma tarefa admirável. Mas não é o bastante. A luta pelo planeta deve ser de sol a sol e exige perseverança. Entretanto, ainda que não seja uma solução mágica, a Hora do Planeta vale pela simbologia. Que ela possa transpor as barreiras da inércia e desperte a conscientizAÇÃO ecológica. Ficou interessado? É só acessar o site da campanha e registrar sua participação! E mais, ainda restam mais de 8000 horas por ano para você protagonizar o papel de cidadão planetário. É só começar!

terça-feira, 1 de março de 2011

Natureza mãe, mãe natureza!

A cultura pode ser definida como tudo aquilo o que é produzido pelo homem. A natureza, pelo contrário, compreende aquilo que não sofreu transformação pela ação humana. Na prática: imagine uma flor no campo, nascida pela inteligente dispersão feita pelos pássaros. Agora mentalize essa mesma flor em um vaso. No primeiro caso, estamos falando da natureza. Já a flor no vaso é um exemplo de cultura. 
A natureza, com seus ciclos e sistemas, muito tem a nos ensinar. O fascínio pelo mundo natural é desperto justamente pela sua capacidade de funcionar mútua e equilibradamente. Ao observá-lo, aprendemos mais sobre a vida. 
E para apreciar virtualmente o que a natureza tem a nos oferecer, serão compartilhadas aqui no Holos curiosidades, frases, pensamentos, textos, fotos (e afins) sobre os encantos da nossa mãe!

Ecohabitar!

Buscar novas formas de morar é um dos grandes desafios para alcançar um padrão de convivência harmonioso com a natureza. E quando tocamos nesse assunto, podemos pensar de maneiras diversas, afinal, somos seres plurais. Há maneiras para melhorar suas atitudes cotidianas e minimizar seus impactos, bem como decisões mais radicais, em que todos os elementos da moradia (ou até da comunidade na qual ela está inserida) são funcionalmente projetados para criar um sistema sustentável. Porém, cada um de nós sabe qual a opção possível para nosso estilo de vida. Ser sustentável não deve ser um fardo a ser carregado. Contudo, também não devemos nos esquecer de que somos parte de uma teia, na qual as atitudes que praticamos influirão na vida dos demais seres. Aqui no Holos, você vai saber mais sobre moradia sustentável e como otimizar suas ações cotidianas rumo a uma sociedade mais equilibrada!