quarta-feira, 9 de março de 2011

Belo Monte: a polêmica mora no pulmão do mundo

Tem uma pedra no meio do caminho. No meio do caminho tem uma pedra. Quem dera fosse... No meio do caminho tem uma hidrelétrica. No coração da maior floresta do planeta, floresta essa cortada pela majestosidade do rio Xingu, símbolo de um povo, de uma luta, de uma tradição, querem entranhar muitas pedras.
A autorização para instalação do canteiro de obras da Usina hidréletrica de Belo Monte foi reestabelecida no dia 03 de março. A licença havia sido revogada no dia 25 de fevereiro pela Justiça Federal do Pará. A Advocacia Geral da União (AGU) entrou com recurso contra a ação do Ministério Público Paraense que havia paralisado as obras.
Em janeiro de 2011, o então presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), Abelardo Bayma, se demitiu para não ceder à pressão do governo para aprovar o início das construções. Porém, o presidente sucessor Curt Trennepohl concedeu uma licença parcial, que permite a instalação do canteira de obras, mas não a construção da usina.
A controvérsia relativa à Belo Monte é resultante da magnitude do projeto: serão gastos 30 bilhões de reais e a construção irá alagar 668 quilômetros quadrados da região amazônica do Xingu, terra de povo indígena do mesmo nome. Especialistas explicam que os índices de energia a serem gerados estão superestimados, visto que o nível da vazão da água em que se baseiam os valores calculados só ocorre durante um trimestre por ano. As obras prevêem ainda um desvio que secará 100 km do rio Xingu, conhecido como Volta Grande.
Além disso, ambientalistas ressaltam que as perdas para a biodiversidade serão inestimáveis, pois há animais que não poderão retirados e supõe-se que ainda possam existir espécies a descobrir na região. Afirma-se também que parte do maior município em extensão territorial do mundo, Altamira (PA) ficará submersa e haverá aumento de casos de doenças como a malária, elevação das emissões de gases de efeito estufa, dentre uma série de outros detrimentos para o meio ambiente e a sociedade.
Segundo o Movimento Xingu Vivo, no dia 08 de fevereiro de 2011, houve uma reunião entre dez lideranças e caciques da Bacia do Xingu e Rogério Sotilli, secretário executivo – e, naquele momento, interinamente ministro – da Secretaria Geral da Presidência, representando a presidenta Dilma Rousseff. Nessa conversa, o secretário se comprometeu a dialogar com a sociedade civil a fim de se chegar a um consenso. Porém, em nota intitulada: "O que vale, para este governo, a palavra dada?", o movimento afirma não ter recebido retorno do governo em inúmeras tentativas de contato.
Na contramão do futuro, o Brasil investe em energia oriunda das hidréletricas, sob a égide de que essa matriz não é poluente, e, portanto, é sustentável. Entretanto, o impacto socioambiental de uma inundação causada pela instalação de uma usina desse tipo tem sido subestimado. A grande mídia tem se limitado a noticiar a guerra judicial que se estende na esperança de que a Usina não seja erguida. É preciso levar o debate à toda a sociedade. O que está em jogo não é apenas a vitória do pensamento de um determinado setor, mas sim de um conceito de desenvolvimento que precisa ser revisto com urgência. Caso contrário, correremos o risco de perder um patrimônio social, biológico e cultural de valor incalculável.

Para saber mais:
Especial Belo Monte - Instituto Socioambiental 
Belo Monte de Violências - Série de artigos publicada pelo Diário do Pará

Diga não à Belo Monte! Assine a petição!

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