terça-feira, 8 de março de 2011

Mulheres: um canto de libertAÇÃO!


Meados de 1700. Dandara, rainha negra de Palmares, esposa de Zumbi e guerreira esquecida pelos livros de HIStória (patriarcalismo até nome, não?), se suicidou para não retornar à condição de escrava. Não em causa própria, mas em nome de uma bandeira maior, a da liberdade de um povo.
1958. Nascia no coração da floresta amazônica uma menina que mudaria para sempre o curso do movimento ambientalista brasileiro. Marina era, dentre muitas, apenas mais uma Silva. Uma Silva não letrada que sofreu as mazelas intrínsecas à pobreza. Aos dezesseis anos, foi alfabetizada. Prosseguiu os estudos, tornou-se Ministra do Meio Ambiente e mesmo após a saída do governo, persiste lutando pela Amazônia.
1962. A bióloga norte-americana Rachel Carson publica aquele que seria o livro considerado marco no movimento ambientalista mundial: "Primavera Silenciosa". Nele, Carson denunciou o uso irrestrito de agrotóxicos, que, dentre muitos malefícios, diminuiu consideravelmente a população de pássaros nos Estados Unidos.
Poderiam ser citadas mulheres de muitas bandeiras, ideais que podem não ser os seus. Mulheres diferentes, de força igual. Força em gestar, parir, ser mamífera. Força que emana da natureza e das circunstâncias culturais também. Força às vezes adormecida e que pode ser desperta abruptamente, como um vulcão. Força que nasce diante do condicionamento, da imposição.
8 de março de 2011. A data, que era para lembrar na revolução feminina e feminista, foi transformada pelo capitalismo em dia de mandar flores e presentear, sem refletir. Consumo, consumismo. Na contramão, mulheres vivem do lixo gerado do luxo. Marias que suam dia após dia para levar o pão só são valorizadas por hoje. Amanhã (e pelo resto do ano), a mídia exaltará as mulheres de plástico.
Clementina cantou a liberdade e seu canto até hoje ressoa como um despertar de consciência, servindo, também, para atentar para a escravidão física (imposta àquelas que trabalham em condições degradantes ou que saem de seus larem para criar filhos que não lhe pertencem, enquanto as ruas cuidam dos seus) ou mental, em que as mulheres desconhecem seu verdadeiro valor, e, em contradição ao seu maior grau de educação formal, são manipuladas pelos apelos ao consumo e instruídas a não pensar. Para todas elas, a voz de Clementina ainda é um genuíno canto de libertação: "Tava durumindo, cangoma me chamou, disse: - Levanta, povo, cativeiro já acabou!". Mulheres, libertai-vos!

2 comentários:

Iℓaa * disse...

Seu texto foi muito centrado e objetivo, ADOREI.. beijos Ila

Michelle disse...

Boa mana ^_^
Adorei, maravilhoso

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