domingo, 8 de maio de 2011

Reflexões sobre maternagem e ecologia

Hoje é comemorado o Dia das Mães. A data essencialmente capitalista  é a segunda melhor do ano para o comércio. Embora discorde da instituição de um único dia para homenagear aquelas que nos trouxeram ao mundo, ainda mais quando o motivo subjacente a essa homenagem é propalar o consumismo, resolvi postar algumas reflexões sobre a arte de ser mãe.

Meu pequeno Malik brincando com a terra
A chegada de um bebê é um evento que mexe e transforma as emoções de uma família. Entretanto, você já refletiu sobre o quanto isso impacta o nosso planeta? Acalme-se. A afirmação não é de que ter filhos é um ato anti-ecológico. Mas você já pensou em como somos doutrinados a consumir mesmo antes de respirarmos sem o auxílio do cordão umbilical, ainda aconchegados no ventre materno?
Quando vem a confirmação da gravidez, é comum desejar um grande enxoval, comprado antecipadamente, claro! Mas como comprar roupas para um bebê cujo tamanho você nem sabe? Difícil. Então, a opção é comprar de vários tamanhos, diversas opções. Afinal, a convenção social diz que não devemos ser “sovinas” com nossos filhos. Surge um questionamento: a  responsabilidade sobre o modo como nos relacionamos com o meio ambiente não deveria vir de berço?  
Nossa sociedade tende a desvalorizar antigos e simples hábitos alinhados com o respeito à natureza. A utilização de peças de segunda mão é uma boa opção para reduzir o consumo, aliando supressão de gastos à minimização de impactos ambientais decorrentes da produção de novas peças.
O repasse de roupas entre familiares e conhecidos, por exemplo, tem se perpetuado entre pessoas de menor poder aquisitivo. Há, contudo, ações pontuais de grupos formados por mães que incentivam trocas de roupas e objetos a fim de evitar o desperdício. No caso dos bebês, essa prática é ainda mais interessante, pois o crescimento no primeiro ano de vida é avultante e, assim, as peças tendem a se desgastar menos.
O movimento ecológico é um grande desencadeador do resgate da maternidade ancestral e até mesmo
espiritual, pautada na conexão com os elementos naturais e no entendimento de seus ciclos. A busca pelo parto natural, com o protagonismo e o empoderamento das mulheres em torno do processo de gestar e parir sem "artifícios" mostra a preocupação com esse resgate.
A prática do aleitamento materno também é uma atitude ecologicamente acertada. Além de propiciar uma série de benefícios para mamãe e sua cria, amamentar fortalece os laços afetivos entre os dois sem prejudicar o meio ambiente. A utilização de fórmulas artificiais, pelo contrário, demanda uso de água e gera resíduos, além de ser nutricionalmente muito inferior ao alimento mais completo e ideal para os bebês: o leite materno.
Dentre as práticas da eco-maternagem que mais têm ganhado espaço atualmente, está o uso das fraldas de pano. Pode parecer assustador, se pensarmos naquelas fraldas de pano que nossas avós usaram. Porém, essas fraldas foram repaginadas e suas formas lembram muito os modelos descartáveis. Outro método antigo (e mais comum no oriente) é a higiene natural. Nele, os bebês não usam fraldas e o conhecimento mútuo é trabalhado para compreeender quando a criança sente alguma necessidade fisiológica.
Em meio a turbilhão tecnológico vivenciado na sociedade da informação, nem mesmo a arte de brincar escapou das mudanças. Hoje é corriqueiro que as crianças tenham celular e passem o dia no video game e no computador. Por isso, valorizar as brincadeiras tradicionais é um meio de enriquecer culturalmente os pequenos sem a necessidade de comprar mais e mais. E que tal confeccionar brinquedos reciclados com embalagens e outros materiais que seriam descartados? Essas tarefas são capazes de entreter e surpreender crianças de várias idades!
A formação de indivíduos conscientes do exercício da cidadania planetária é resultado da educação como um todo, e não só da educação formal. Quem nunca ouviu falar que criança aprende pelo exemplo? Daí a importância da maternagem incluir o respeito e a reverência ao natural. Independentemente de laços sanguíneos, a maternagem deve ser uma missão (e uma lição, por que não?) de humildade, altruísmo e AMOR: ao próximo, à vida, à Terra.





Fotos tiradas pelo papai: meu filhote e eu plantando um pé de manga para comemorar seu primeiro ano de vida! 

0 comentários:

Postar um comentário