terça-feira, 14 de junho de 2011

Brasil: O desenvolvimento sustentável passa pela Reforma Agrária

Foto: Sebastião Salgado  (retirada do site Terra de Direitos)
Qual o maior problema ambiental que assola o Brasil? Está lançado jogo. Provavelmente, a resposta desmatamento ganhará disparada. E sim, o desmatamento é uma das principais causas da degradação do meio ambiente no Brasil. Porém, isso é apenas a ponta do iceberg. O que está por trás de tudo isso? Os madeireiros? Políticos e demais funcionários públicos corruptos? O agronegócio? Estas respostas estão corretas. Mas há uma opção que sintetiza todas essas assertivas: o capitalismo. Está achando esse texto polarizado demais? Pois é. Quem disse que não era para ser? Vamos lá.
Recentemente, alguns casos de violência no meio rural ganharam destaque na mídia nacional. O mais comentado foi a dupla execução do casal de extrativistas e ambientalistas Maria do Espírito Santo da Silva e José Cláudio Ribeiro da Silva. Alguns jornais até chegaram a remeter ao emblemático caso da missionária estrangeira Doroth Stang, também morta por defender a floresta e afrontar interesses dos latifundiários. Mais emblemática ainda foi a luta de Chico Mendes, sempre citada como exemplo para o ambientalismo brasileiro. Acontece que o genocídio dos trabalhadores do campo e ativistas não é novidade. Acontece também que quando um caso desse repercute na imprensa, o governo federal afirma que tomará providências definitivas. Mas, na realidade, só estabelece ações paliativas. Da resistência em Canudos (e muito antes) a Eldorado dos Carajás, os conflitos agrários são resolvidos à bala e revelam um abismo social entre oprimido e opressor.
Que tal pensarmos além: Por que existem os latifundiários? Essa é uma pergunta que poderia ser respondida em uma boa quantidade de laudas. Sejamos concisos: o latifúndio é uma nefasta herança do período colonial e traz em seu seio a exploração dos trabalhadores em benefício do latifundiário. Riquezas são produzidas, não há como negar. Contudo, elas não são partilhadas entre os que, com seu suor, carregam a força produtiva. A riqueza é do latifundiário; o direito sobre a terra que ele sequer põe as mãos, também. Justo? Para o capitalismo, por que não seria? Esse modelo econômico permite, ou melhor, reitera o "direito" de promover injustiças sociais e ambientais, já que o latifúndio e sua "revolução verde" promovem práticas nada ecológicas.
No ano passado, a Campanha Nacional pelo Limite da Propriedade de Terra promoveu um referendo que conseguiu mais de meio milhão de votos favoráveis à restrição do latifúndio no Brasil. A proposta foi pautada na soberania alimentar e planificação das condições sociais no campo e na cidade. Mas, o referendo não foi um tema discutido pela mídia.
Na última semana, a presidenta Dilma Rousseff decretou o aumento do prazo de anistia para os desmatadores. Assim, ruralistas terão mais tempo para negociar a inclusão definitiva da anistia ao crime de desmate na legislação florestal. No mesmo dia, o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, se reuniu com autoridades paraenses para discutir medidas que extirpem a violência rural no estado. Além disso, a Força Nacional de Segurança ocupou o município de Nova Ipixuna por tempo indeterminado. Alguma controvérsia na postura do governo federal em relação às políticas ambientais?
Equacionar um dos mais graves problemas do meio ambiente no Brasil demanda uma postura radical. Sim, é preciso ir à raiz. Pensar em sustentabilidade baseada na concentração de terras e no subemprego é falacioso. Somente a reforma agrária promoverá um campo desprovido de exploração, propulsor de uma sociedade mais igualitária e constituído pela distribuição fundiária àqueles que lutam para cultivar sem destruir. Sem reforma agrária, "país rico é país sem pobreza" será só mais uma bandeira maculada pelo sangue daqueles que lutam em defesa da Terra.

Para refletir ouvindo:
Ordem e progresso - Beth Carvalho (Do CD Arte em Movimento - MST)

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