segunda-feira, 18 de julho de 2011

Educação ambiental para quem?

Vivemos um tempo de transição. As mudanças climáticas e suas consequências reiteram a necessidade de um novo padrão de integração do homem à natureza. Logo, a educação ambiental, instituída como lei no Brasil em 1999, torna-se imprescindível. Porém, o que fazer quando essa educação deseduca?
Analisemos: quem são os educadores ambientais? Em alguns casos, egressos do curso de biologia interessados na área da ecologia e também profissionais de gestão ambiental. Aí reside o problema: em geral, a formação dos gestores ambientais norteia-se pelo capitalismo, é voltada para o empresariado e caracteriza-se pelo servilismo mercadológico. As faculdades formam os profissionais desejados, isto é, aqueles capazes de implementar projetos para mitigar efeitos nefastos de indústrias e afins para deformar cidadãos crentes de que estão tendo acesso à educação ambiental.
O que dizer então de "educadores ambientais" participantes de esquemas danosos ao meio ambiente? Realizam projetos pretensamente ecológicos que desviam o foco das ações maléficas das organizações das quais fazem parte. E o pior não é isso. Acreditem! O pior é o estado acrítico ao qual esse profissional é submetido durante sua (de)formação: assim, ele passa a acreditar que suas práticas de greenwashing não são efetivamente greenwashing e, então, se rende à sórdida teia da lavagem verde.  Esse "educador" acredita que sua ação é benéfica. Mas a quem servem esses benefícios?
È preciso que a educação ambiental rompa as correntes da subserviência e liberte-se da senzala do capital. Educar para ação ecológica verdadeiramente consciente exige desprendimento de interesses privados, comprometimento com o interesse público, ressignificação do modelo pedagógico (atualmente voltado para a lógica patronal), supremacia da ética e desconfiômetro ligado. Uma nova educação ambiental, alinhada com a proteção da natureza e genuinamente ambientalista é fundamental para estabelecer a sociedade sustentável. Caso contrário, a educação ambiental não será nada além de uma profissão a serviço do capitalismo. Do prisma da sociedade, um completo desserviço.

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