terça-feira, 5 de julho de 2011

Krajcberg: quando ambientalismo e arte se encontram


Galhos retorcidos, folhas secas, troncos carbonizados, material orgânico em decomposição. Esculturas com matérias-primas extraídas da natureza, obras permeadas pela crítica e conscientização ambiental. A natureza morta dá vida à arte do polonês Frans Krajcberg. 
A trajetória do artista é desenhada em harmonia com a ecologia desde o princípio. Mas, foi no início da década de 60, que seu trabalho tomaria as formas que tem hoje. Nessa fase, Krajcberg pintava sob influências expressionistas e cubistas. Foi então que a interação com as terras de Ibiza, na Espanha, concretizou-se como o rebento das esculturas do artista. Através dessa experiência direta com o barro, Krajcberg criou a marca de seu trabalho: a apropriação dos recursos naturais para interpretá-los e provocar questionamentos.
A poética de Krajcberg é marcada pelo equilíbrio entre o domínio da natureza e a capacidade de recriá-la. Não se trata de uma mera reprodução. A contemplação de suas obras torna evidente a atmosfera contestadora de seu trabalho. A crítica aos padrões equivocados das relações de distanciamento entre homem e natureza e suas consequências funestas afloram o brilhantismo do artista.
Radicado no Brasil e naturalizado brasileiro, atualmente ele mantém uma reserva ecológica de 1,2 km² no sítio onde vive em Nova Viçosa (BA). Lá, ele semeou mais de 10 mil mudas de espécies nativas e pretende criar um museu que levará seu nome. Agora, aos 90 anos, consagra-se ao despertar para o poder do realismo da fotografia em suscitar dúvidas sobre o transe social e o colapso ambiental que vivemos. Ao apreciar Krajcberg, não é temeridade dizer, enfim, que talvez não seja ele quem se apropria da natureza. Mas sim, ela quem o domina para fazer ouvir sua súplica por um direito legítimo: o direito à vida.

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