sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Por que dizer não aos agrovenenos?

Os agroTÓXICOS não possuem essa nomenclatura por acaso. Embora o setor do agronegócio com suas gigantes transnacionais difundam que eles são seguros, os prejuízos pelo seu uso são diversos. O emprego dessas substâncias é pernicioso e pode gerar contaminações em larga escala: desde a água, o solo, os trabalhadores do campo, os animais até o consumidor final. Segundo informações da Organização Panamericana de Saúde (OPAS) divulgadas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 15% das patologias relacionadas ao trabalho na América Latina e Caribe estão ligadas ao uso dos agrovenenos. A questão é alarmante, pois dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) dão conta de que apenas 1 em cada 6 acidentes com esse tipo de produto entra para as estatísticas.
A legislação sanitária brasileira abre precedentes para que o país se mantenha como o maior consumidor mundial de venenos no campo. A partir do momento em que um agrotóxico é liberado no mercado nacional, seu registro será perene e não haverá revisão, a não ser nos casos em que dispõe o artigo VI do Decreto 4074/02 que trata da Competência do Ministério da Agricultura:

VI - promover a reavaliação de registro de agrotóxicos, seus
componentes e afins quando surgirem indícios da ocorrência de
riscos que desaconselhem o uso de produtos registrados ou
quando o País for alertado nesse sentido, por organizações
internacionais responsáveis pela saúde, alimentação ou meio
ambiente, das quais o Brasil seja membro integrante ou signatário
de acordos;

A gravidade da situação é ainda maior quando se sabe que o Brasil é, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o país que mais consome agrotóxicos proibidos. Além disso, grande parte da população desconhece os perigos do consumo de produtos contaminados. Há ainda, no meio rural, a difusão de uma mentalidade distorcida sobre a nocividade dos agrovenenos. Não é raro encontrar pessoas que usem o famigerado Roundup (cujo princípio ativo é o glifosato) para "limpar" o mato de alguma área a ser utilizada no cultivo de alimentos. Aliás, isso traz à tona um outro fato: por mais que a legislação fale em controle de comércio para essas substâncias, na prática, adquiri-las é mais simples do que parece. 
A problemática acerca dos agrovenenos transcende as fronteiras rurais. Trata-se de um tema de natureza social, ambiental e sanitária. Muito se propala sobre os benefícios à saúde com o consumo de frutas, legumes e vegetais, entretanto, pouco se discute sobre os processos insalubres praticados pelo agronegócio para otimizar lucros, sem considerações com a saúde do consumidor. Por isso, o enfrentamento ao uso dos venenos no campo começa no consumo consciente, na opção pelos orgânicos e na pressão popular pela elaboração de uma lei de agrotóxicos condizente com a preservação do meio ambiente. Uma lei que traga um Brasil saudável, produtivo, com soberania alimentar e responsabilidade sócio-ambiental: um Brasil livre de agrotóxicos.

Para saber mais, acesse:

Assista ao documentário de Sílvio Tendler sobre os agrovenenos:


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