sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A COP-17 e a certeza das incertezas

As conferências climáticas realizadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) dividem opiniões dentre diversos setores da sociedade. Entre os movimentos sociais, sobretudo aqueles ligados às causas ambientais, há quem veja com otimismo essas reuniões e também quem duvide de sua efetividade. O fato é que, em geral, as conferências terminam sem resultados concretos e às vezes retrocedem nas diretrizes internacionais de meio ambiente. Aliás, a única coisa certa é a exposição garantida para quem quer lucrar com novos sistemas/tecnologias voltados para a área: como os olhos do mundo estão voltados para estes eventos, eles se tornam a grande vitrine do ecocapitalismo.
Diante disso, a Via Campesina, movimento internacional formado pelo agricultores(as) familiares e camponeses(as) lançou, paralelamente à 17 ª Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP17), em Durban (na África do Sul) um documento intitulado "Declaração da Via Campesina em Durban". Dentre as reivindicações, destaca-se o repúdio ao mercado de créditos de carbono e a agroecologia como alternativa sustentável ao aquecimento global. Para conferir o documento na íntegra, clique aqui!

Para entender a COP 17, acesse:
Conferência do Clima: a ciência foi deixada de lado

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Bunge: insustentável do começo ao fim

A Bunge, empresa que já foi citada pelo Ministério da Agricultura como detentora do oligopólio de fertilizantes no Brasil, lançou no início de novembro uma campanha institucional com o objetivo de resgatar o conceito "do campo à mesa". O comercial televisivo começa com o consumo de um pastelzinho, que serve para mostrar, sem nenhuma riqueza de detalhes, o processo do qual resulta o produto. Lançando mão do bordão "sustentável da começo ao fim", o reclame é apenas uma tentativa de reposicionar a imagem da empresa diante de sua multidão de consumidores.
A campanha cujo intento é mostrar a sustentabilidade nas práticas da Bunge foi orçada em cerca de 6 milhões de reais, segundo informações do portal New Trade. Entretanto, a realidade não condiz com o teor da publicidade, já que se trata de uma corporação que, além produzir de alimentos industrializados e nocivos à saúde, é a maior produtora de fertilizantes químicos na América do Sul. E o que isso significa? Quando fertilizantes químicos encontram rios, lagoas e os lençóis freáticos, há o aumento da produção de algas e fitoplâncton. Em consequência, com a morte desses organismos, a decomposição da matéria orgânica  bloqueia a entrada do oxigênio nas águas, suprimindo a vida subaquática.
Outro ponto importantíssimo esquecido pelos marketeiros contratados pela Bunge é fato de que a empresa promove a monocultura, prática que diminui drasticamente a geração de empregos e prejudica o abastecimento de alimentos diversificados. Ao mesmo, propulsiona a expansão do modelo tecnocrata também no campo, através de métodos produtivos cada vez mais artificiais e que resultam em comida tão "saudável" quanto medicamentos alopáticos.
Na página inicial da corporação, consta a frase: "melhorar a vida, contribuindo para o aumento sustentável da oferta de alimentos e bioenergia, aprimorando a cadeia global de alimentos e do agronegócio." Oras, quem entende o mínimo sobre sustentabilidade sabe que o estímulo deve ser feito ao desenvolvimento de cadeias locais de consumo, pois a dita cadeia global demanda muito mais recursos e resulta em maiores impactos ambientais. Já na página sobre a gestão da sustentabilidade, a Bunge mostra a que veio: "O objetivo é fomentar o desenvolvimento equilibrado dos negócios". Note, como todo bom capitalista, eles assumem: querem mesmo é desenvolver seus negócios. Mais uma prova de que o verde que lhe$ intere$$a não é o da ecologia, propalado pelo discurso publicitário.
Em agosto deste ano, o CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) lançou um instrumento para normatizar a conduta ética em propagandas ditas sustentáveis. Segundo o documento, que visa combater o greenwashing, a publicidade sobre o tema deverá atender a princípios pré-estabelecidos, entre eles a concretude, veracidade, exatidão e clareza, comprovação e fontes, pertinência e relevância. Na página, é possível denunciar propagandas de "lavagem verde".  Agora, assista ao vídeo da Bunge:

Em tempo: esqueceram de citar no vídeo que agrotóxico não transforma solo em vida e latifúndio não promove o desenvolvimento local. Também omitiram que o etanol por si só não basta. Por trás do discurso pelo seu uso, está toda uma indústria automobilística que incentiva o transporte individual(ista). Além disso, o biodiesel brasileiro possui 95% de diesel convencional, originado do petróleo (super ecológico, hein!).

Leia também:
Bunge: um mau exemplo para mundo, Por Judson Barros

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

17/12: Dia de luta contra Belo Monte em SP

Para mais informações, acesse o blog do Movimento Brasil pelas Florestas clicando aqui!