quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Bunge: insustentável do começo ao fim

A Bunge, empresa que já foi citada pelo Ministério da Agricultura como detentora do oligopólio de fertilizantes no Brasil, lançou no início de novembro uma campanha institucional com o objetivo de resgatar o conceito "do campo à mesa". O comercial televisivo começa com o consumo de um pastelzinho, que serve para mostrar, sem nenhuma riqueza de detalhes, o processo do qual resulta o produto. Lançando mão do bordão "sustentável da começo ao fim", o reclame é apenas uma tentativa de reposicionar a imagem da empresa diante de sua multidão de consumidores.
A campanha cujo intento é mostrar a sustentabilidade nas práticas da Bunge foi orçada em cerca de 6 milhões de reais, segundo informações do portal New Trade. Entretanto, a realidade não condiz com o teor da publicidade, já que se trata de uma corporação que, além produzir de alimentos industrializados e nocivos à saúde, é a maior produtora de fertilizantes químicos na América do Sul. E o que isso significa? Quando fertilizantes químicos encontram rios, lagoas e os lençóis freáticos, há o aumento da produção de algas e fitoplâncton. Em consequência, com a morte desses organismos, a decomposição da matéria orgânica  bloqueia a entrada do oxigênio nas águas, suprimindo a vida subaquática.
Outro ponto importantíssimo esquecido pelos marketeiros contratados pela Bunge é fato de que a empresa promove a monocultura, prática que diminui drasticamente a geração de empregos e prejudica o abastecimento de alimentos diversificados. Ao mesmo, propulsiona a expansão do modelo tecnocrata também no campo, através de métodos produtivos cada vez mais artificiais e que resultam em comida tão "saudável" quanto medicamentos alopáticos.
Na página inicial da corporação, consta a frase: "melhorar a vida, contribuindo para o aumento sustentável da oferta de alimentos e bioenergia, aprimorando a cadeia global de alimentos e do agronegócio." Oras, quem entende o mínimo sobre sustentabilidade sabe que o estímulo deve ser feito ao desenvolvimento de cadeias locais de consumo, pois a dita cadeia global demanda muito mais recursos e resulta em maiores impactos ambientais. Já na página sobre a gestão da sustentabilidade, a Bunge mostra a que veio: "O objetivo é fomentar o desenvolvimento equilibrado dos negócios". Note, como todo bom capitalista, eles assumem: querem mesmo é desenvolver seus negócios. Mais uma prova de que o verde que lhe$ intere$$a não é o da ecologia, propalado pelo discurso publicitário.
Em agosto deste ano, o CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) lançou um instrumento para normatizar a conduta ética em propagandas ditas sustentáveis. Segundo o documento, que visa combater o greenwashing, a publicidade sobre o tema deverá atender a princípios pré-estabelecidos, entre eles a concretude, veracidade, exatidão e clareza, comprovação e fontes, pertinência e relevância. Na página, é possível denunciar propagandas de "lavagem verde".  Agora, assista ao vídeo da Bunge:

Em tempo: esqueceram de citar no vídeo que agrotóxico não transforma solo em vida e latifúndio não promove o desenvolvimento local. Também omitiram que o etanol por si só não basta. Por trás do discurso pelo seu uso, está toda uma indústria automobilística que incentiva o transporte individual(ista). Além disso, o biodiesel brasileiro possui 95% de diesel convencional, originado do petróleo (super ecológico, hein!).

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Bunge: um mau exemplo para mundo, Por Judson Barros

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