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| Paul Curtis A.K.A. Moose: pioneiro do Reverse Graffiti |
As intervenções urbanas no Brasil, quando não autorizadas pelo poder público, podem ser enquadradas como prática de crime ambiental. Incoerência e ironia: no país onde a institucionalização do desmatamento está muito próxima com a pressão para a aprovação do Novo Código Florestal, um grafiteiro que expressa sua arte em um muro pode estar comentendo um crime contra o meio ambiente. É importante ressaltar que o artigo 65 da Lei nº. 12.408, que teve sua publicação em 25 de maio de 2011, afirma que grafitar só não é crime se existir autorização do proprietário no local no qual a arte foi feita. E mais: se o graffiti em questão "sujar" a cidade, o artista responderá na esfera penal.
Controvérsias à parte: você já pensou que a sujeira resultante do caos da vida nas cidades pode ser a matéria-prima para uma nova modalidade de intervenção urbana? Não, não, eu não estou falando de nenhuma instalação artística ou monumento feito a partir de reciclagem ou reaproveitamento de materiais. Trata-se de uma prática ainda mais impensada e, diria, temerária que tem se espalhado pelo mundo. Essa arte tem nome: reverse graffiti. A ideia é limpar aquele encardido dos muros e formar, a partir daí, o desenho ou a mensagem que se quer transmitir. Sem tintas prejudiciais ao meio ambiente, sem custos, sem riscos de ver o sol nascer quadrado.
Uma boa alternativa ao higienismo em São Paulo, do qual nem mesmo os muros têm escapado, quanto mais a sociedade...
O designer e artista plástico Alexandre Orion elaborou, durante uma madrugada de 2006 na capital paulista, um painel no túnel Max Feffer. Enquanto fazia o graffiti, Orion foi parado pela polícia, que nada pôde fazer. Mas a repressão foi além. O trabalho intitulado "Ossário" só pode ser conferido nesse vídeo, pois foi prontamente apagado com uma lavagem providenciada pela prefeitura. Confira:

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