segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

"CarnAdobe": bioconstruindo a cultura permanente


Recentemente, divulguei aqui no blog um biomutirão programado para o carnaval cujo objetivo era aprender/ensinar e fazer tijolos de adobe (uma técnica sustentável e bem antiga na qual esses tijolos são produzidos sem a necessidade de ir ao forno). O evento, batizado de CarnAdobe, faz parte de um projeto maior, a bioconstrução da morada da família de Marcela Mölk, Gonzalo e Nahuel. Logo que soube da ideia, resolvi postar o banner , pois é sempre bom difundir ações gratuitas de permacultura. Entrei em contato com a Marcela com a intenção de saber mais e ela foi tão receptiva que, mesmo com alguns contratempos, decidimos ir.
Logo surgiu uma carona que passaria pela nossa cidade no dia de início do mutirão. Pois então, no dia 18, Robson, Malik e eu pegamos a estrada com a Sandra e o Donizete. Duas horas depois, já estávamos em Louveira. Ao chegar, fomos muito bem recebidos. Aquele aconchego da roça, bebê brincando à vontade. Depois do almoço, fomos até o galpão ver os adobes. Fiquei impressionada com a resistência e o tamanho deles: era maior e tão forte quanto um bloco de concreto. A Marcela comentou sobre as inúmeras experiências que fizeram até aquele resultado.
Dadas as explicações iniciais, fomos ao trabalho. Embora seja uma atividade que demanda um certo esforço físico, o cansaço era mínimo. Foi um trabalho muito gostoso, podíamos papear, descobrir afinidades, trocar figurinhas, enfim, semear a amizade. Parecia que já nos conhecíamos há tempos e aquele era um reencontro. No dia seguinte, a querida Taty chegou para fortalecer a labuta. Não vou me ater a detalhar o trabalho diário, pois isso já foi feito com propriedade no blog da Casa que te quero verde.
Quero ressaltar aqui a sinergia que moveu esse encontro. Muito mais do que apenas aprender a fazer tijolos, foi uma oportunidade de interagir com irmãos conectados com um mesmo objetivo: zelar pela Grande Morada.
Aos amigos que fizemos: Marcela, Gonzalo, Nahuel, Doni, Sandra, Taty, Cláudia, Walter e Gean Marco (esses três que se somaram a nós no último dia) quero agradecer pela interação, “co-laboração” e pela energia. Gratidão pela partilha, pelos sorrisos, pela fogueira encantada que celebrou o início do processo no terreno da “Casa que te quero verde”, pela trilha sonora, a acolhida, a comida caseira com jeito de mãe e tudo o mais que não cabe aqui.
Para facilitar a divulgação dos próximos mutirões, foi criada no Facebook a página “Casa que te Quero Verde”. Lá, estão disponíveis informações para tornar seu cotidiano mais sustentável. Para se conectar a essa teia, clique aqui!

     

     

     

     

Pra finalizar, uma canção que tem tudo a ver com a vibração do Carnadobe...

Bunker Roy e a Universidade dos Pés Descalços

Seminário "Código Florestal e Ciência" e exibição do documentário "Toxic Amazônia" em Brasília

 
Para mais informações, clique aqui!

Doula: profissional dedicada a acompanhar gestantes e a humanizar parto

Renata da Costa Rodrigues segura bebê recém-nascido
em parto normal acompanhado por doula
A tradição de acompanhar as mulheres no parto remonta à época em que o nascimento acontecia tradicionalmente em casa. A mãe recebia de alguma mulher mais experiente o conforto e a sabedoria necessários para encarar o parto como um evento fisiológico. Para resgatar a natureza desse processo, uma profissional entra em ação: a doula. Do grego, “aquela que serve”, a palavra doula define basicamente a tarefa de proporcionar e bem-estar físico e emocional à gestante. 
Para a doula e estudante de enfermagem Renata da Costa Rodrigues, “doula não é uma profissão, mas uma função muito antiga.” Ela conta que esta palavra foi usada em 1973 pela antropóloga Dana Raphael para se referir às mulheres que dão suporte a outras mulheres no momento de parir. 
Desmistificar as dores do nascimento, orientar a futura mãe e conscientizar a família de que gravidez não é doença são apenas alguns de seus atributos. “No trabalho de parto, a doula procura manter a parturiente no controle de todo o processo, sugere posições para que ela se sinta mais confortável, trabalha a respiração e técnicas não farmacológicas para o alívio da dor, como massagem, banhos, relaxamento”, afirma Renata. 
A presença da doula não substitui o pai: ele recebe orientação para se integrar e participar ativamente da chegada do novo membro da família. A doula pode atuar em todos os tipos de parto, seja hospitalar ou domiciliar. Para isso, é preciso o consentimento da equipe. 
“A doula mostra que o parto natural é melhor para mãe e bebê. Às vezes, durante o processo do parto uma cesárea é necessária e nós estamos ali para apoiar a mulher. Nunca aconteceu de me pedirem para acompanhar uma mulher que escolheu cesárea”, explicou por e-mail a psicóloga e doula vinculada à rede Parto do Princípio, Flávia Penido.


Palavra de mãe
Penido tem formação em sistêmica familiar e é mãe de três filhos. “Eu costumo dizer que tive três partos normais, mas só me senti realizada no terceiro”. Na época, Flávia acompanhava futuras mamães voluntariamente. Ela foi amparada por uma doula e uma enfermeira obstetra. “Minha filha caçula nasceu em casa porque achei que era o melhor lugar para ela vir ao mundo. Não fizeram nenhuma intervenção, ninguém a levou de mim, meus filhos acordaram e a saudaram nos primeiros minutos de vida e meu marido ficou o tempo todo ao meu lado”, conta.
É comum que a doula se aproxime da família, comenta Flávia, que concilia à sua rotina a organização de uma roda de bate-papo sobre maternidade (a roda Bebedubem) em São José dos Campos (SP). “Às vezes viramos amigas, um pouco madrinha da cria delas. As mães voltam à roda, contam suas experiências e ficam amigas entre elas também”.
A atuação da doula não se restringe ao trabalho de parto. Muitas profissionais atuam como consultoras durante a gestação e pós-parto. Renata Rodrigues afirma que “cada doula tem uma maneira de trabalhar.” A experiência e a formação da profissional influenciam nos valores cobrados. Flávia Penido destaca: “Quem faz isso, faz porque ama. Tem um custo sair de casa à noite e ficar horas ou dias sem ver os filhos e o marido”. Em geral, o preço dessa assistência varia entre 300 a 1000 reais. Para quem não pode pagar, existem as doulas voluntárias, geralmente vinculadas a hospitais públicos.
Para ser doula, não é necessário ser da área da saúde. “A formação não é oficial, existem várias, mas é bom estudar muito além do curso. A doula não discute nem faz procedimentos médicos, não toma decisões sobre a saúde da mulher nem do bebê, mas ela precisa traduzir tudo isso para a mulher e para o marido”, complementa Flávia. Em São Paulo, a Secretaria de Estado da Saúde oferece curso preparatório gratuito. 

Parto humanizado?
A humanização não é um tipo de parto, é um processo. Para Flávia Penido, “Humanizar é individualizar a atenção. Num hospital existe uma rotina de protocolos médicos. Muitos procedimentos são feitos em toda mulher e todo bebê sem real necessidade”. Para saber mais, acesse: amigasdoparto.org.br e doulas.com.br


Obs.: A reportagem foi originalmente na seção Saúde (p.6) do Jornal laboratório Página UM -Edição 75, da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). 
Fiz essa matéria em 2010 para o jornal da faculdade e o bebê da foto é o meu pequeno Malik! 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Aprenda a fazer seu próprio minhocário

Clique na imagem para ampliá-la


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

"Canção da Terra" no Acampamento do Levante Popular da Juventude



A articulação embalada pela poesia engajada de Pedro Munhoz. Belo vídeo que inspira pela força e pelo poder de transformação da juventude. Fez-me lembrar de Paulo Freire e a sua afirmação de que a esperança deve vir do verbo esperançar, jamais do esperar. Esperançar é ir à luta!


Canção da Terra


"Tudo aconteceu num certo dia
Hora da Ave Maria 
O Universo viu gerar
No princípio, o verbo se fez fogo
Nem Atlas tinha o Globo
Mas tinha nome o lugar
Era Terra,
E fez o Criador a Natureza
Fez os campos e florestas
Fez os bichos, fez o mar
Fez por fim, então, a rebeldia
Que nos dá a garantia
Que nos leva a lutar
Pela Terra, 
Madre Terra, nossa esperança
Onde a vida dá seus frutos
O teu filho vem cantar 
Ser e ter o sonho por inteiro
Sou Sem Terra, sou guerreiro
Co'a missão de semear
A Terra, Terra, 
Mas, apesar de tudo isso 
O latifúndio é feito um inço
Que precisa acabar
Romper as cercas da ignorância
Que produz a intolerância
Terra é de quem plantar
A Terra, Terra, 
Terra, Terra..."

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Porto Alegre (RS) recebe "1º Forum Mundial da Bicicleta"

Entre os dias 23 e 26 deste mês ocorrerá, na capital gaúcha, o 1º Forum Mundial da Bicicleta. O evento deve discutir, entre outros temas, o uso da bicicleta na mobilidade urbana e também no lazer, esportes, turismo. Na programação, atividades para cicloamantes de todos os níveis: de alimentação para pedalar a dopping no ciclismo profissional e, é claro, a bicicletada. A agenda do forum ainda é provisória.
A data foi escolhida em função do atropelamento em massa em uma bicicletada da Massa Crítica em Porto Alegre, em 25 de fevereiro de 2011. Embora a defesa do atropelador Ricardo Neis afirmasse distúrbios psquiátricos, a perícia não constatou a afirmação. Neis foi indiciado por tentativa homicídio qualificado.
Para ficar por dentro das possíveis alterações e de tudo o que acontecerá na primeira edição do Forum Mundial da Bicicleta, clique aqui!

Para pedalar ouvindo: Magrela Fever - Curumin

Hidrelétrica de Belo Monte é tema de aula aberta em Belém (PA)

Para mais informações sobre o evento, clique aqui!
Quer ficar atualizado sobre a resistência contra Belo Monte? Acesse: xinguvivo.org.br

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

12/02: Arte e ativismo em prol das crianças do Pinheirinho

Obs.: Também serão aceitas doações de material escolar.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

ACEL promove "2º Programa de Bioconstrução" em São José dos Campos (SP)

Já pensou em participar da construção de um polo de práticas sustentáveis? Essa é a proposta do Segundo Programa de Bioconstrução do Instituto ACEL, localizado no pé da serra da Mantiqueira, em São José dos Campos, interior de São Paulo. Serão cinco módulos ao longo do primeiro semestre de 2012, cada um com um eixo temático fundamentado na prática orientada por especialistas. A ideia é transformar o processo construtivo em um evento multiplicador dos saberes permaculturais. O primeiro módulo deve acontecer este mês, entre os dias 24 e 26. O objetivo dessa etapa é ensinar teoria e prática da fundação e estrutura ecológicas.
As próximas etapas ainda não tem data definida, mas o conteúdo já foi programado. No segundo módulo, a ordem será mão na massa, ou melhor, na terra: é a hora de erguer as paredes ecológicas. A etapa seguinte será para construir o sanitário compostável (banheiro seco) e a bacia de evapotranspiração. O quarto módulo será destinado ao feitio do telhado verde. Para finalizar a construção do ecocentro, a quinta fase será de produção do sistema de captação de água de chuva.
O Ecocentro da ACEL será um ponto de encontro e interações permaculturais no Vale do Paraíba. Além disso, o espaço servirá para que as crianças atendidas na creche do instituto adquiram, desde cedo, a consciência de que também são cidadãos que devem zelar pela morada de todos nós.
O instituto promove um importante trabalho social. Atende diariamente cerca de 300 pessoas (dois terços são crianças). Sua atuação compreende uma creche, um núcleo de terapias holísticas e um ambulatório, aulas de música, língua portuguesa e informática, apoio à gestante, biblioteca, além de capacitações na área ambiental. Por isso, doações (inclusive não pecuniárias) para auxiliar na manutenção das atividades são bem-vindas.
A criação do programa de bioconstrução levou em conta o tripé da sustentabilidade para se chegar a uma solução socialmente justa, ecologicamente correta e economicamente viável. A intenção é tornar mais simples o acesso à permacultura, visto que tem crescido o número de cursos oferecidos a preços inacessíveis à maior parte da população.
Para participar, o investimento é de cem reais por módulo e inclui alimentação ovolactovegetariana, certificado e alojamento com colchonetes na própria instituição. Existe espaço disponível para acampar, se for preferível. Pede-se levar ferramentas, roupas de cama para uso pessoal, sementes e mudas para plantio, fraternidade e boa vontade! Segue a ficha de inscrição, que deve ser enviada para institutoacel@gmail.com:

Ficha de inscrição
Evento Permacultura ACEL
Nome:
Idade:
Endereço:
Cidade: Estado:
E-mail:
Telefone:
Celular:
Carta de intenções(descreva brevemente porque quer participar da
vivência):
Forma como pretende chegar ao local do curso:
Horário previsto:

Quer mais informações? Entre em contato pelos telefones: (12) 3948 2638/ (12) 3948 110/ (12) 9777 4460. Acesse a página da ACEL no Facebook clicando aqui!
Conheça os resultados do primeiro programa de bioconstrução, realizado em 2011, em apresentação do Slideshare.

Casa popular com princípios da permacultura

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Ilha das Flores (de Jorge Furtado)

"Ilha das flores" foi filmado em 1989, mas seu roteiro seria perfeitamente coerente se seu lançamento fosse hoje. Citado pela crítica europeia como um dos cem melhores curtas do século XX, o documentário se estrutura em uma narrativa detalhista, reflexiva e carregada de um certo escárnio que se mistura à repulsa às desigualdades sociais. Por meio de um exemplo simples (o "caminho" transcorrido por um tomate da gôndola do mercado até o descarte), o diretor Jorge Furtado expõe a desumanidade do capitalismo. Vale a pena assistir:

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Curso "Educadores da Terra" em Embu (SP)

Acontece no próximo dia 25, em Embu das Artes (grande São Paulo) o curso "Educadores da Terra". A atividade é promovida pela Rede Humanaterra. O objetivo é familiarizar os participantes com a permacultura e a agroecologia. A programação conta com bate-papo, palestra sobre educação para sustentabilidade, pintura com ecotintas feitas com terra e  plantio de ervas aromáticas, hortaliças e flores.
As inscrições são gratuitas para professores e funcionários da rede pública de ensino (com exceção da rede universitária). Egressos do programa de "Jovens da Reserva da Biosfera" também estão isentos de taxa de matrícula. Para os demais, o investimento é de R$60,00 e inclui certificado e alimentação.
A ficha de inscrição será enviada mediante solicitação pelo e-mail: contatohumanaterra@gmail.com. Para mais informações, acesse o blog Humanaterra!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

DOC: Terra em Transformação - Agronegócio ou Agroecologia

"Terra em Transformação - Agronegócio ou Agroecologia" expõe os meios escusos que foram empregados na implementação da revolução verde no Brasil. O documentário mostra como a industrialização da produção agrícola, com a expansão do latifúndio e o monopólio das transnacionais, situa-se na raiz de vários problemas sócio-ambientais, como o êxodo rural e a favelização. Por outro lado, apresenta a agroecologia como ciência a ser empregada pela agricultura familiar na promoção da justiça social e respeito ao meio ambiente. Imprescindível para quem quer ouvir a voz das lutas camponesas e conhecer os problemas causados pelo agribusiness e que são escondidos pela mídia patronal. Confira:

O bioconstrutor...

Barro vai. Palha vem. Da lama e até do esterco seco, ele faz o encantamento. Ergue a morada natural. O teto. O alento. Embora imerso no mundo da natureza, age como detentor nato do saber sobre a cultura permanente. Em sua trajetória, os obstáculos não são problemas, são recursos. É um belo exemplo da máxima de Lavoisier, que diz: "Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma". Talvez você até não o reconheça. Mas, é possível que já tenha cruzado com alguma de suas obras no topo de uma árvore. O Furnariu Rufus ocorre na Argentina (onde é considerada ave símbolo do país), Paraguai, Uruguai e Bolívia e nas regiões sul, sudeste e centro-oeste brasileiras. Há quem diga que seu característico canto é um prenúncio de um dia ensolarado. É o mestre João-de-barro. Ele calcula sabiamente as proporções dos materiais em sua obra, para equilibrar seu trabalho e torná-lo seguro de acordo com as variações das matérias-primas. E não pense que erguer o novo lar é uma tarefa apenas do macho. Tudo é feito em conjunto. Até o cantar. Ensina a bionconstruir, ensina a construir a vida. A natureza e suas singelas lições...

"João-de-Barro cor de canela
Que adentrou minha janela
Aqui quem canta e te apela
É um louco apaixonado
Por uma menina bela
Peço tua ajuda e habilidade
Pra fazer a casa dela
Será só chuva, barro e quentura
Que te dá um bom cimento
Ou será que a estrutura
É de emoção mais pura
No acabamento
Que nem o tempo, nem potente vento
Nenhum tipo de loucura
Abala a tua arquitetura
Água e terra, fez o artista
João da serra, o ceramista
João-barreiro, João Brejeiro
Me ensina a arte de ser pedreiro
João-de-Barro me conta baixinho
Qual o sonho que um passarinho
Leva no bico, fazendo o ninho
Me diz, bichinho
Se é um sonho de paixão e fantasia
Ou afeto de família
Pai e mãe, filho e filha
João-barreiro, João brejeiro
Me ensina a arte de ser pedreiro
Fazer com terra, chuva e calor
Um belo ninho pro meu amor..."
(João-de-barro - Raiz do Sana. Para ouvir, clique aqui)


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Justiça determina despejo dos Guarani Kaiowa no MS


No último dia 29, a Justiça Federal ordenou aos indígenas da etnia Guarani Kaiowa do Mato Grosso do Sul: eles deveriam desocupar a área tradicionalmente de posse de seu povo, chamada "Laranjeira Nhanderu". A reintegração foi acatada judicialmente porque o estudo antropológico de responsabilidade da Fundação Nacional do Índio (Funai) que atestaria que os indígenas têm direito à propriedade se estende há mais de três anos. Com a inconclusão desse laudo, a justiça concedeu a reintegração. Assim, cerca de 170 índios ficarão sem terras, dentre eles 30 idosos e uma centena de crianças.
Essa não é primeira vez que os Guarani Kaiowa são despejados de seus territórios. Os pareceres judiciais favoráveis aos latifundiários privaram esses indígenas dos tão falados direitos humanos. Para garantir o direito legal sobre as terras aos fazendeiros, os Guarani Kaiowa foram "realocados para lugar algum". Ficaram à mercê das circunstâncias, sobrevivendo em acampamentos improvisados à beira de estradas, em condições degradantes.
A única saída para garantir a integridade física e a perpetuação da identidade sócio-cultural dos Guarani Kaiowa é a demarcação legal de suas terras originárias. Por enquanto a delimitação dos territórios da etnia está suspensa, por conta de uma ação encabeçada pela Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Femasul). Mas, nem tudo está perdido: nesse ano, o procurador geral da República, Roberto Gurgel, emitiu parecer favorável à demarcação por meio de um recurso ainda não julgado pelo Supremo Tribunal Federal. Vale a lembrança: o Mato Grosso do Sul possui a segunda maior população indígena dentre os estados da federação.
Não é de hoje que os conflitos agrários tem se tornado um dos maiores entraves à manutenção da diversidade étnica dos indígenas. Afinal, ainda que eles obtenham o direito sobre suas terras, há que se lembrar: a floresta deu espaço às monoculturas e se iniciaria mais uma batalha contra o agrobanditismo na luta pela dignidade perdida. Além disso, o Mato Grosso do Sul lidera o ranking estadual de homicídio de indígenas.

Assista ao vídeo sobre disputa territorial em "Laranjeira Nhanderu" clicando aqui!
Para saber mais, acesse:
ÍNDIO SEM TERRA. TERRA COM SANGUE. Campanha urgente!!!
Quer conhecer mais sobre a etnia Guarani Kaiowa? Visite a página dos Povos Indígenas no Brasil!