segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Doula: profissional dedicada a acompanhar gestantes e a humanizar parto

Renata da Costa Rodrigues segura bebê recém-nascido
em parto normal acompanhado por doula
A tradição de acompanhar as mulheres no parto remonta à época em que o nascimento acontecia tradicionalmente em casa. A mãe recebia de alguma mulher mais experiente o conforto e a sabedoria necessários para encarar o parto como um evento fisiológico. Para resgatar a natureza desse processo, uma profissional entra em ação: a doula. Do grego, “aquela que serve”, a palavra doula define basicamente a tarefa de proporcionar e bem-estar físico e emocional à gestante. 
Para a doula e estudante de enfermagem Renata da Costa Rodrigues, “doula não é uma profissão, mas uma função muito antiga.” Ela conta que esta palavra foi usada em 1973 pela antropóloga Dana Raphael para se referir às mulheres que dão suporte a outras mulheres no momento de parir. 
Desmistificar as dores do nascimento, orientar a futura mãe e conscientizar a família de que gravidez não é doença são apenas alguns de seus atributos. “No trabalho de parto, a doula procura manter a parturiente no controle de todo o processo, sugere posições para que ela se sinta mais confortável, trabalha a respiração e técnicas não farmacológicas para o alívio da dor, como massagem, banhos, relaxamento”, afirma Renata. 
A presença da doula não substitui o pai: ele recebe orientação para se integrar e participar ativamente da chegada do novo membro da família. A doula pode atuar em todos os tipos de parto, seja hospitalar ou domiciliar. Para isso, é preciso o consentimento da equipe. 
“A doula mostra que o parto natural é melhor para mãe e bebê. Às vezes, durante o processo do parto uma cesárea é necessária e nós estamos ali para apoiar a mulher. Nunca aconteceu de me pedirem para acompanhar uma mulher que escolheu cesárea”, explicou por e-mail a psicóloga e doula vinculada à rede Parto do Princípio, Flávia Penido.


Palavra de mãe
Penido tem formação em sistêmica familiar e é mãe de três filhos. “Eu costumo dizer que tive três partos normais, mas só me senti realizada no terceiro”. Na época, Flávia acompanhava futuras mamães voluntariamente. Ela foi amparada por uma doula e uma enfermeira obstetra. “Minha filha caçula nasceu em casa porque achei que era o melhor lugar para ela vir ao mundo. Não fizeram nenhuma intervenção, ninguém a levou de mim, meus filhos acordaram e a saudaram nos primeiros minutos de vida e meu marido ficou o tempo todo ao meu lado”, conta.
É comum que a doula se aproxime da família, comenta Flávia, que concilia à sua rotina a organização de uma roda de bate-papo sobre maternidade (a roda Bebedubem) em São José dos Campos (SP). “Às vezes viramos amigas, um pouco madrinha da cria delas. As mães voltam à roda, contam suas experiências e ficam amigas entre elas também”.
A atuação da doula não se restringe ao trabalho de parto. Muitas profissionais atuam como consultoras durante a gestação e pós-parto. Renata Rodrigues afirma que “cada doula tem uma maneira de trabalhar.” A experiência e a formação da profissional influenciam nos valores cobrados. Flávia Penido destaca: “Quem faz isso, faz porque ama. Tem um custo sair de casa à noite e ficar horas ou dias sem ver os filhos e o marido”. Em geral, o preço dessa assistência varia entre 300 a 1000 reais. Para quem não pode pagar, existem as doulas voluntárias, geralmente vinculadas a hospitais públicos.
Para ser doula, não é necessário ser da área da saúde. “A formação não é oficial, existem várias, mas é bom estudar muito além do curso. A doula não discute nem faz procedimentos médicos, não toma decisões sobre a saúde da mulher nem do bebê, mas ela precisa traduzir tudo isso para a mulher e para o marido”, complementa Flávia. Em São Paulo, a Secretaria de Estado da Saúde oferece curso preparatório gratuito. 

Parto humanizado?
A humanização não é um tipo de parto, é um processo. Para Flávia Penido, “Humanizar é individualizar a atenção. Num hospital existe uma rotina de protocolos médicos. Muitos procedimentos são feitos em toda mulher e todo bebê sem real necessidade”. Para saber mais, acesse: amigasdoparto.org.br e doulas.com.br


Obs.: A reportagem foi originalmente na seção Saúde (p.6) do Jornal laboratório Página UM -Edição 75, da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). 
Fiz essa matéria em 2010 para o jornal da faculdade e o bebê da foto é o meu pequeno Malik! 

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