sábado, 23 de junho de 2012

Reciclar, ressignificar, resgatar, conectar!

Durante muito tempo a humanidade viveu mergulhada no racionalismo. Embora essa postura tenha muito contribuído para o progresso técnico-científico, esse paradigma distanciou o homem dos fenômenos espirituais. A observação dos ciclos naturais restringiu-se, na maioria das vezes, a apreciações científicas. Dessa forma, essa abordagem cartesiana alienou grande parte da humanidade dos processos naturais. Se para a sabedoria nativa os fenômenos astrológicos, as intempéries e todas as outras manifestações da natureza possuem um significado capaz de direcionar sua rotina, para as sociedades contemporâneas, considerar esses fatores como determinantes em seu modo de vida pode ser taxado como uma tolice. Vivemos isolados das pessoas, do tempo, desconhecemos a direção das chuvas, deixamos de apreciar a beleza das pequenas coisas. A contemplação da natureza perdeu espaço nos momentos de lazer para ser substituída por atividades eletrônicas, frias, individualistas.
Nesse contexto, não é possível negar os avanços tecnológicos já auferidos, entretanto, seria imprudente omitir que eles trouxeram consigo diversos prejuízos sócio-ambientais, como, por exemplo, o uso de mão de obra degradante e o desrespeito ao limiar dos recursos naturais. Logo, é preciso buscar um ponto de equilíbrio, abrindo espaço para que resgatemos a sabedoria secular, consolidada pragmaticamente.
Temos vivido, especialmente neste ano, tempos promissores. A transição já está em curso há algum tempo, mas é agora, em 2012, a oportunidade de transcendermos fronteiras dimensionais. É o momento de quebrarmos paradigmas. É hora de despertar, restabelecer o diálogo entre razão e espiritualidade, reconhecer que o conhecimento não deve, necessariamente, ser oriundo da sistematização puramente racional dos acontecimentos.
Nesse sentido, há um caminho passível de nos fornecer muitas respostas para as crises atuais: o resgate da ancestralidade. Trata-se de uma sabedoria intuitiva, baseada na prática diária, e, sobretudo, na sensibilidade daqueles que acreditam que o conhecimento não advém apenas da academia ou de fontes "oficiais". A sabedoria ancestral é prova de que consonância com os ciclos naturais é resultado de observAÇÃO.
A ancestralidade nos fornece a sabedoria empírica, baseada em costumes muito antigos e que podem ser modelo para uma vida simples, mas profundamente alinhada ao equilíbrio ecológico. A estreita ligação e reverência dos povos nativos à Mãe Terra, a bioconstrução e a arquitetura vernacular, técnicas tradicionais para cultivar alimentos, trocas de sementes crioulas são alguns dos muitos exemplos de como conhecer a ancestralidade permite implementar sociedades genuinamente sustentáveis. É tempo de reconexão, de reconhecer que tudo no universo é vibração e se religar às energias de Gaia. Já não há tempo para protelar as mudanças. Todos desejamos viver em um planeta harmônico, sustentável. Co-criemos, então, a Nova Terra. Viva a Pachamama!
A seguir, documentário "A Voz das Avós - no Fluir das Águas". Um sensível registro do encontro do "Conselho Internacional das 13 Avós Nativas" em Brasília no ano passado, cujo tema foi a Água.




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